Modelo celular tridimensional desenvolvido em laboratório é importante para desenvolver novos tratamentos para doenças neurológicas.
Investigadores do iBET (Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica) e ITQB NOVA (Instituto de Tecnologia Química e Biológica Universidade Nova de Lisboa) desenvolveram um modelo neurocelular com características biológicas específicas próximas das humanas, o que o torna importante para o desenvolvimento de novas abordagens para o tratamento de doenças neurológicas.
Este estudo tem como objetivo aperfeiçoar as ferramentas disponíveis para estudar com maior rigor a importância do ambiente em que as células se encontram no cérebro para o seu desenvolvimento e identificar problemas específicos que são relevantes nas doenças como Parkinson ou Alzheimer e outras neurodegenerativas. Os resultados foram recentemente publicados na revista Stem Cell Reports.
Para isso, os investigadores desenvolveram modelos celulares tridimensionais (neuro-esferóides) que permitem manter as células estaminais humanas em cultura durante vários meses no ambiente altamente controlado dos biorreatores – frascos de cultura celular tecnologicamente avançados – e concluíram que estas células foram capazes de gerar matriz (a estrutura que as sustenta no ambiente cerebral) semelhante à de zonas específicas do cérebro.
“Sabemos que o ambiente que envolve as células cerebrais tem um papel importante em doenças neurodegenerativas, em lesões cerebrais e noutras patologias do foro neurológico. Estamos agora a entrar numa nova fase em que estamos a aplicar o nosso modelo para estudar aspetos destas doenças que não conseguíamos abordar com outros métodos”, afirma Catarina Brito, investigadora principal da Unidade de Tecnologia de Células Animais do iBET/ITQB NOVA e líder deste estudo.
Nesta fase, os investigadores estão a aplicar este modelo a uma doença genética rara, a mucopolissacaridose tipo VII, utilizando células dos doentes para observação.
Este estudo foi realizado em colaboração próxima com Paula Alves, coordenadora da mesma Unidade e CEO do iBET, e com a participação importante de investigadores das Universidades de Colónia e de Göttingen, na Alemanha.